Artes integradas · 2024 — presente

Tocando o Barco

O que acontece quando um objeto historicamente associado ao labor, à pesca e ao deslocamento marítimo é retirado das águas e levado para o cubo branco dos museus?

Tocando o Barco 2 instalado em frente ao Museu do Amanhã
Tocando o Barco 2 — Museu do Amanhã, 2025

Para o multiartista e pesquisador Lucas Ururahy, a resposta está na música, na imagem e no encontro. O projeto estabelece um circuito de artes integradas que converte embarcações tradicionais de madeira em uma frota de esculturas sonoras interativas e dispositivos de audiovisual expandido de grande escala.

Atualmente com duas embarcações — Tocando o Barco 1 e Tocando o Barco 2 —, o projeto propõe o conceito de "transmutação da travessia": o trânsito físico e o esforço do trabalhador do mar transmutam-se em fluxo poético, sonoro e visual dentro dos espaços institucionais. Hibridizados com tambores, metais e tubos acústicos, os barcos de aproximadamente quatro metros perdem sua função utilitária original para transformarem-se em corpos-instrumentos de execução coletiva.

"O barco deixa de navegar sobre as águas para transitar pelas engrenagens urbanas e da arte. Ele se torna um convite à escuta e um dispositivo relacional."
Lucas Ururahy
Tocando o Barco 1 na galeria A Gentil Carioca

Tocando o Barco 1

2024 · Comissionado pela FGV Arte · Curadoria Paulo Herkenhoff

Tocando o Barco 2 no MAM Rio

Tocando o Barco 2

2025 · Comissionado pelo SESC · Curadoria Marcelo Campos

A performance

Sob a direção de Ururahy, uma "tripulação" de músicos e pesquisadores espalha-se ao redor da escultura central em dinâmica semicircular de escuta e improvisação. As apresentações configuram-se como jam sessions expandidas onde ritmos afro-brasileiros, matrizes indígenas, jazz, funk carioca, rap e poesia falada se sobrepõem à performance corporal da bailarina Mayara Assis.

Paralelamente, as texturas de madeira do barco servem como tela para um sistema de videomapping responsivo: imagens da Baía de Sepetiba e arquivos de memória territorial operam com a engenharia de som multicanal — as frequências capturadas ao vivo alteram e distorcem as projeções em tempo real, gerando ambiência sinestésica e imersiva.

No cotidiano expositivo, a barreira da contemplação passiva é quebrada: milhares de pessoas, de crianças a idosos, tocam a obra e deixam ali sua marca sonora. O projeto conta ainda com forte proposta de mediação pedagógica conduzida por artistas-educadores.

Performance audiovisual do Tocando o Barco
Jam session do Tocando o Barco
Registro do Tocando o Barco
Registro do Tocando o Barco
Registro do Tocando o Barco
Registro do Tocando o Barco

Trajetória de peso — a frota já atracou em
Museu do Amanhã MAM Rio — Festival LivMundi MAC Niterói A Gentil Carioca — Abre Alas 20 Museu Bispo do Rosário NOPH — Santa Cruz Palacete Princesa Isabel FGV Arte Sesc Grussaí